Cultura DevOps
Da divisão artificial à responsabilidade real
De "não é problema meu" ao "você contrói, você opera"
No modelo tradicional, havia separação rígida entre Desenvolvimento e Operações. O desenvolvedor escrevia o código; o time de Ops cuidava do deploy e da operação. Isso criava um ambiente de transferência de responsabilidade e baixa visibilidade do impacto real do software.
A cultura DevOps nasce justamente para eliminar essa fragmentação.

O que caracteriza DevOps

DevOps não é cargo, não é equipe isolada e não é departamento.
É uma forma de trabalhar baseada em responsabilidade integral sobre o serviço.
“You build it, you run it”
O time que constrói o sistema é o mesmo que realiza o deploy, opera e monitora. Essa postura aumenta a qualidade, reduz o retrabalho e aproxima o time da realidade do negócio.

Infinite Loop

O Infinite Loop é a representação visual do ciclo contínuo do DevOps. Ele existe para deixar claro que desenvolvimento e operação não são fases isoladas, mas partes de um fluxo ininterrupto. Nada “começa e termina”; tudo retroalimenta o restante.
A ideia é simples: cada atividade impacta a próxima, e cada resultado gera aprendizado para a anterior. Isso cria melhoria contínua.
O ciclo de vida passa a ser contínuo:
Plan → Code → Build → Test → Release → Deploy → Operate → Monitor
Cada etapa retorna informações para a anterior, criando aprendizado constante.
Dev
Plan (IaC): infraestrutura planejada como código desde o início.
Code: desenvolvimento alinhado com requisitos funcionais e operacionais.
Build (IaC) (CI): empacotamento automático e reprodutível.
Test (CI): validação automatizada, garantindo previsibilidade.
Ops
Release (CD): liberação controlada e auditável.
Deploy (CD): implantação automatizada, com segurança e coerência.
Operate: gestão de configuração, segredos e escalabilidade.
Monitor: observabilidade, métricas, logs e alertas.
IaC — Infraestrutura como código. CI — Automação de build e testes. CD — Automação de deploy.
Por que ele é importante
Quebra o modelo linear: Em vez de um fluxo “cascata”, o loop mostra que Dev e Ops trabalham juntos o tempo todo.
Mostra responsabilidade de ponta a ponta: O mesmo time cuida de tudo: concepção, entrega, operação e evolução.
Promove melhoria contínua: Falhas, alertas e métricas voltam ao planejamento. O sistema evolui baseado em uso real, e não em suposições.
Integra ferramentas e práticas: Cada etapa é suportada por automação:
IaC no planejamento e build
CI nos testes
CD no deploy
Observabilidade na operação
Em resumo
O Infinite Loop não é um desenho bonito; é o símbolo da filosofia DevOps: trabalho contínuo, aprendizado constante e responsabilidade total sobre o serviço.
DevOps NÃO é um cargo
A cultura DevOps é adotada pelo time todo.
Os papéis especializados que fazem sentido são outros:
Site Reliability Engineer (SRE)
Focado em confiabilidade, automação e operação baseada em engenharia.
Platform Engineer
Criador e mantenedor da plataforma interna que suporta os times de produto.
Cloud Engineer
Responsável pela base de nuvem: redes, segurança, contas, automações.
Especialistas
Profissionais de domínio profundo (segurança, dados, redes etc.).
Conclusão
DevOps é sobre responsabilidade de ponta a ponta.
Não é título, não é moda e não é departamento separado.
É o compromisso do time com todo o ciclo de vida do serviço — desde a concepção até a operação contínua — garantindo qualidade e alinhamento com as necessidades do negócio.
Last updated